domingo, 21 de novembro de 2010

Aguenta coração

"Meu coração começou a disparar, comecei à produzir uma incontrolável quantidade de suor, cada parte do meu corpo tremia, haviam milhares de borboletas voando dentro de mim... Espera, um possível ataque cardíaco, grande utilização de glândulas sudoríparas, um tremor sem sentido, borboletas? O que isso tudo significava? Outra ótima pergunta, desde quando eu criava borboletas dentro de mim?
Por que estou tão nervosa? É apenas o João... Meu melhor amigo. 
Não entendo o porquê do meu corpo agir de tal maneira quando estou perto dele... Não costumo fazer tanta confusão assim, procuro deixá-la para as aulas de matemática. Oh meu Deus, por que não estou conseguindo agir normalmente com o Pedro? Pára Carolina, você não pode...
-Pago um milhão pelo seu pensamento!
-N... não... não estou pensando em nada... Ora, por favor Pedro!
-Carol, é evidente que algo está lhe preocupando. Além do mais, não é possível não se pensar em nada!
-Pedro, pare já com essa discussão. Não estou pensando em nada, já falei.
-Não é possível que em todos esses 10 anos de amizade você ainda me esconde seus segredos, Carol! Eu não entendo... 
-Não Pedro... Só estou pensando em certas coisas que estão acontecendo comigo...
-Conte-me Carolina.
-Não Pedro, é melhor não... Por que não continuamos com a lição de casa?
-Se você tivesse começado tava ótimo! Eu estou aqui faz uns quarenta minutos tentando fazer com que você pare de escrever poemas nesse seu caderno.- Olhei assustada para o caderno que estava em meu colo. Eu não havia feito exercício algum, apenas escrevi todos os meus pensamentos.- Você pode pegar pelo menos uma caneta para mim? A tinta da minha acabou...
-Ok, vou pegar. Espere um minuto.
Entrei naquele cafofo que muitos costumam à nomear de quarto e dei início à uma difícil jornada: achar uma caneta em plena bagunça. Confesso que demorou um pouco, mas o Pedro entenderia.
-Pronto Pe...- Olhei ao meu redor, Pedro estava com meu caderno no colo, lendo minhas anotações com bastante atenção, que nem reparou que eu estava lá.- Pedro!
Assustado ele olhou para mim, pude ver seus olhos cheios d'água. 
-Desde quando Carol...ina?
-Desde quando o que Pedro?
-Desde quando você me ama?
-Seu idiota, eu te amo desde sempre, afinal, você é o meu melhor amigo!
-Não se faça de desentendida! Desde quando você me ama, como outra coisa a não ser como amigo?
- Pedro... Eu não acredito que você leu minhas anotações...
-Responda-me Carol!
-Desde que te vi com a Ana. Satisfeito?
-Mas isso foi... Ontem?
Eu queria morrer. Queria que meu sentimento fosse correspondido, que ele me amasse... Mas como o medo de enfrentar meus problemas é tão grande, eu apenas corri.
-Carol...
Depois desse dia eu não aguentei mais olhar na cara de Pedro, por pura covardia. Ele começou a namorar a Ana, nunca mais conversou comigo." 
Hoje eu acordei feliz, por algum motivo não encontrado ainda, eu estava feliz. Ler meu antigo diário antes de dormir me deu uma paz, agora eu sei porque meus últimos anos no colégio foi tão severo e doentio. Eu me mantive triste por quase dois anos. Mas hoje não, hoje é o meu primeiro dia de aula no 3° ano do Ensino Médio. Sim, não sou mais aquela garota bobinha de 15 anos, apaixonada pelo melhor amigo. Hoje eu acordei bem, algo que não acontece há muitos anos, desde a nossa última conversa...
Entrei no colégio feliz e fui direto para a sala de aula. Não havia reparado muito bem mas, depois de dois anos, Pedro voltou a ser da minha classe. Passei por ele revirando meus olhos, creio que ele percebeu, pois veio atrás de mim.
-Carol?
-Carolina, pra você! 
-Carolina, como você mudou...
-Você se importa se eu rejeitar essa conversa pra boi dormir? Sério, eu tenho mais o que fazer do que conversar com ex amigos traidores.
-Traidor? Por que me chama de traidor?
-Por que você me traiu, traiu a confiança que eu tinha por você, traiu os meus sentimentos.
Olhar em seus olhos fez com que meu mundo caísse. Pedro havia mudado muito, mas ainda tinha os mesmos olhos expressivos de sempre. Dava pra perceber que ele estava triste pelos olhos azuis acinzentados. O pior de tudo foi sair, fingindo não me importar. 
Algumas aulas chatas passaram, e o recreio chegou. Eu estava ansiosa por algum motivo... Mas a ansiedade deu lugar à tristeza quando eu vi a porta da escada para o telhado da escola aberta. Era no telhado onde Pedro e eu passávamos os recreios e matávamos aulas. Assim que Pedro parou de falar comigo, a porta nunca mais se abriu. Nem ele e muito menos eu entrávamos lá.
Não sei o que se passou em minha mente, mas eu subi. Ouvia um choro muito familiar.
-O que está fazendo aqui, Pedro?
Pedro procurava secar suas lágrimas, sem sucesso.
-Por que está chorando?
-Porque eu ferrei minha vida a partir do momento que perdi minha irmã, minha amiga, minha amada...
-Mary morreu? Ana também?- Não estava entendendo nada, Ana estava no colégio e Mary, irmã de Pedro tem quatro anos, é cheia de vida.
-Não... Você era as três pessoas...
-Como assim?
-Você conhece aquele ditado que diz que é perdendo que a gente arrepende? Eu nunca me arrependi tanto... Carol, eu te amo. 
Eu não acreditava no que ouvia, não acreditava que depois de anos eu ainda conseguia amá-lo. Eu apenas me deixei levar pelo momento, tendo um dos melhores de toda a minha vida...  


Fiim ^^


Por: Fernanda Santos
p.s. O nome do Pedro é João Pedro ^^