"Navios são enjoativos. Não navios em si, mas o movimento que eles realizam: para cima e para baixo repetidas vezes. De qualquer forma, navios são enjoativos."
Mesmo passando a infância inteira dentro de navios luxuosos, iates caríssimos e em lanchas habituais, Miguel não conseguia gostar do mar. Mares, lagoas, cachoeiras... Água, o problema de Miguel Gandola era com água. Banho? Sim, tomava três por dia. Natação? NUNCA! Piscinas são perigosas demais.
Não se sabe ao certo de onde veio esse pânico que Miguel tem de entrar na água, sabe-se apenas que ele não toca em água.
Em dois dias sua família mudaria para o Brasil mas, como os planos não incluiam morar no litoral, Matthew e Aly Gandola decidiram que todos fariam um último passeio pelo Mar Territorial Inglês e isso inclui, claro, Miguel.
Talvez esse passeio não fosse uma coisa tão ruim, talvez fosse o fim de uma etapa e o começo de outra completamente diferente.
"O céu no Brasil deve ser mais claro que em Londres. Aqui tudo é depressivo, sério, opressor. Às vezes penso que sou uma mímica destinada a nunca sair de dentro da minha própria caixa invisível: solitária, muda e insignificante."
Deitada no sofá do navio de seus pais, Isabella pensava em como seria a vida no Brasil: se seria monótona igual a sua vida na Inglaterra, ou se seria cheia de aventuras e emoções. De tempos em tempos seus pensamentos eram interrompidos pelos gemidos de seu irmão, Miguel.
Isabella Gandola: filha prodígio de Aly e Matthew Gandola, irmã gêmea de Miguel Gandola, tímida, simples e depressiva.
Do mundo todo, apenas uma pessoa parecia realmente gostar da ideia de se mudar para outro país, e essa pessoa definitivamente era Isabella.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Arthur.
"Brasil. Quais são as vantagens de morar no Brasil? Carnaval, samba e mulheres bonitas? Ou paisagens lindas, cultura rica e comida boa?". Dentro de um avião encontrava-se um garoto com um terrível dilema: não sabia se a mudança da sua família da Inglaterra para o Brasil era uma coisa boa ou ruim.
Arthur Miller estava cruzando o Atlântico em direção a uma nova vida. Embora estivesse habituado à mudanças de endereço, nunca havia se mudado para um lugar tão longe de sua queria cidade, Manchester, e isso o deixava apavorado. Não poderia simplesmente pegar o primeiro trem e ir em direção a Londres para ver sua namorada, Olive Grace; não poderia ver seus avós em Cambridge, sua cidade natal; não poderia ver os amigos que fizera em Liverpool, local onde ficou por mais tempo e, por último, não poderia mais fugir quando tudo desse errado.
Errado. Era exatamente assim que Arthur se sentia, errado. O mundo dá voltas e mais voltas, mas Arthur sente-se estático, imóvel, inútil.
Era dia quatro de março, aniversário de dezesseis anos de Arthur, e ele estava enfrentando um grave dilema a caminho de seu destino.
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