Não sei muito bem como isto aconteceu mas, isso não importa. Eu só sei que, com tudo o que houve nesses meses, eu estou completa e incondicionalmente apaixonada pelo André.
Não estou trocando nomes, não estou criando personagens. Aqui estou eu, Fernanda Santos, escrevendo em claras palavras e em simples letras que eu estou APAIXONADA.
Sinto algo que eu não sabia se ainda poderia sentir: ciúmes.
Eu não consigo vê-lo ao lado de certas garotas, mata-me por dentro saber que eles vão e voltam juntos do colégio, sofro só por saber que eles podem se gostar.
Quando André me disse que estava confuso, que não sabia se gostava de mim ou da outra menina -cujo nome prefiro não mencionar-, eu já não sabia o que fazer. Quando ele me pediu um tempo, então, sofri por pensar que eu o havia perdido. Foi neste dia que eu descobri que eu não gostava dele e estava, na verdade, apaixonada por ele.
Sempre me mantive firme em minha opinião de que paixão vem com o tempo, amor vem com mais tempo ainda. Gostar, estar apaixonado e amar são coisas distintas, que em momento algum devem servir de base para ações porque podemos nos arrepender amargamente logo depois.
Eu não havia ido à escola no dia em que André havia dito à Alice, minha amiga, que gostava de mim. O que me assustou, inicialmente, foi que durante o recreio ela me chamou dizendo:
-Fernanda, tenho um amigo que perguntou se você está namorando.
-Não estou não. - Afirmei.
-Você quer conhecê-lo? -Antes que pudesse dizer se sim ou não, ela começou a gritar. - André, André!
Acho que foi neste exato momento que a ficha caiu, o André gostava de mim!
Quando fui pedir satisfações à Alice ela me contou o que havia acontecido no dia em que eu havia faltado. Aparentemente ele chegou nela dizendo estar apaixonado por uma menina e depois de muita insistência da parte dela, ele contou que gostava de mim. Eu, a menina que sentava na frente dele, a menina que faz aniversário no mesmo dia que ele, a garota que o considerava um dos três melhores amigos dela. EU!
No mesmo dia, a noite, ele se declarou. Via MSN mas se declarou! Eu não sabia se deveria ficar feliz ou triste. Feliz porque alguém gostava de mim ou triste porque eu não correspondia.
Procurei ao máximo não dar falsas esperanças mas, quem disse que deu certo?
André parecia querer se afastar de mim pessoalmente e isso me incomodava muito. Só conversávamos via MSN, o que me irritava. Eu sempre tomava partido mas ele simplesmente me ignorava, o que me deixava furiosa. Eu fui pegando raiva daquela situação, acabei até pedindo ajuda à Alice porque já não sabia o que fazer.
Mas com todos os elogios, com todas as coisas fofas, com todos os olhares... A cada dia que passava eu o via de uma maneira diferente! Hora André amigo, hora André namorado.
Descobri que ele sentia ciúmes de mim o que me alegrou afinal, não é todo dia que alguém gosta de você E sente ciúmes de ti. Mas ele acabou se aproximando "dela". Chegou até a me perguntar se era possível gostar de uma menina e achar a outra bonita. Isso me enciumava muito!
Quando descobri que André andava dando em cima dela, então, quase morri por dentro. Não contive meus ciúmes e contei a ele. Ele, inicialmente, gostou.
Reparem que eu usei a expressão inicialmente. Passou-se um mês e os ciúmes que ele gostava passaram a lhe incomodar tanto a ponto de fazer com que ele me chamasse de ciumenta e histérica. Tá, eu SEI que eu sou ciumenta e histérica mas ouvir esses péssimos adjetivos dele me fez ficar mal. Quando ele me pediu um tempo parecia que algo prensava meu coração, me causando profundo incômodo, uma dor.
Passei uma sexta feira péssima em todos os sentidos. Estava mal arrumada, triste, não sabia a matéria de Química... Eu queria chorar todo o tempo!
Eu ouvia a música "Aonde quer que eu vá" da banda Paralamas do Sucesso no meu celular, durante a aula de Inglês, e comecei a lembrar dele. Nada me tirava a porcaria da música da cabeça e ao lembrar eu, automaticamente, abria a boca para chorar.
O pior de tudo foi quando cheguei em casa... Tenho estado muito apegada a um amigo meu, o Augusto, e em uma das nossas conversas -no caminho até a papelaria, durante uma reunião do grupo de História- eu o contei que gostava de André. Mas não sei por que diabos ele decidiu que "arranjaria" o André para mim.
Estava mexendo no computador, normalmente, quando André virou para mim -que estava tentando dar um espaço para ele, já que ele havia me pedido um "tempo"- dizendo que o Augusto estava conversando com ele.
Logo depois ele disse que o Augusto havia mudado o pensamento dele e que ele não queria mais um tempo comigo! Instantaneamente meu humor melhorou.
Agora estou eu, convidada para um encontro, feliz da vida, apaixonada.
Por quem?
Pelo A-N-D-R-É!