segunda-feira, 28 de março de 2011

-Por que não o dá uma segunda chance?
-Porque ele não me ama. Não é óbvio?


De sua janela, Luti ouvia a conversa entre sua vizinha e uma amiga escondido. Sabia que elas falavam de Júlio, seu irmão. Era um forte aperto no peito, uma terrível dor na garganta, uma ridícula sensação de perda que tomou conta de Luti de uma maneira que ele mesmo já não compreendia.
Nem mesmo seus vídeo games o distraíam. Sua guitarra, pior inimiga; seu baixo, irmão pilantra; seu violão, um verdadeiro amigo. Seu piano representava seu verdadeiro amor, o único instrumento que ele considerava ser "puro", que representava o sentimento mais lindo.
Ele não queria sua inimiga, não queria seu irmão, não queria seu amigo. Ele queria ela. Ela que estava na janela de frente ao seu quarto, olhando para as estrelas e fofocando com a amiga. Ele sabia que ela voltaria para os braços de Júlio em um estalo de dedos mas mesmo assim ele ainda a queria. 
Este amor mal correspondido o matava, arrasava, destruía por dentro. 
Amigo. Luti não queria ser amigo de Paula. Luti queria ela assim como Adão queria Eva.
Pegou seu violão e com ele desabafou, cantando a primeira música que lhe veio à cabeça.



"Quando ela cai no sofá
So far away
Vinho à beça na cabeça
Eu que sei..
Quando ela insiste em beijar
Seu travesseiro
Eu me viro do avesso
Eu vou dizer aquelas coisas
Mas na hora esqueço...
Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?...
Eu encomendo um jantar
Só prá nós dois
Se não tem nada prá depois
Por que não eu?...
Você tá nessa, rejeitada
Caçando paixão
Eu com a cara mais lavada
Digo:
Por que não?...
Por que não eu?
Ah! Ah!
Por que não eu?"
-Bela música, Luís Otávio.
-Paula?
-Quem mais seria sua vizinha favorita?
-Ninguém, Paula. Ninguém.